segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O factor diferenciador hoje...


Numa altura em que todos os modelos de jogo tendem a ser semelhantes é o treino o factor diferenciador. Ainda assim também a planificação do treino tende a ser igual. Tal como Mourinho disse à pouco tempo, perdendo um tempinho na internet se conseguiam fazer sessões de trabalho iguais às dos maiores monstros do treino que há na actualidade. A diferença vai cada vez mais estar na forma como cada treinador dá o treino. Como explica o exercício, os seus objectivos e o transfer para o jogo. Como percebe que aquilo que quer não está a ser atingido e altera na hora. No não respeitar os tempos porque o exercício está a rolar na perfeição ou pelo contrário por estar a ser um fiasco. Na forma como dá feedback, no quando e como corrige, no reforço positivo e negativo. A diferença em grande parte também na forma como o treinador faz os jogadores acreditarem nas suas ideias, como os cativa (dentro e fora de campo), como os motiva e mantém motivados, como os une em torno de si e os faz "agarrarem na sua mão e irem consigo para a guerra".

O futebol de hoje, mais completo e complexo que à 7/8 anos atrás. O pormenor que cada vez menos está no jogo e mais no treino. E tantas vezes que está na forma como treinadores e jogadores se relacionam. Ser treinador hoje é perceber muito mais do que só de futebol...

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

A liderança

 

Cada vez mais hoje em dia existe o valorizar do conhecimento do treinador acerca do jogo e do treino. O melhor é aquele que mais e melhor sabe do jogo e do treino, e eu concordo com essa visão. Ainda assim, nos dias de hoje, o quase ignorar das capacidades do treinador para liderar homens enquanto individualidades humanas que são e enquanto grupo.

A minha entrada no futebol e a minha subida a escalões e patamares mais altos têm-me feito perceber e mudar a minha visão acerca de várias variáveis do futebol.

Como ser treinador se não nos sabemos relacionar com pessoas?! Se não sabemos levá-las a acreditar nos nossos ideais para o treino e para o jogo (e desengane-se quem acha que para isto basta mostrar qualidade)?! Se não percebemos e agimos de forma a identificar e resolver os problemas dos jogadores, dentro ou fora do grupo, dentro ou fora do clube, problemas com a equipa técnica, com o treinador, com um membro da equipa técnica, com um colega, com a direção, com o presidente, com o médico... Como pessoas que são todos os jogadores estão vulneráveis a problemas pessoais (de que ordem for...), o que afecta o seu rendimento em campo seja no jogo como no treino.

É possível ser-se treinador ignorando tudo isto e muito mais que durante uma época num clube acontece?! "Nem na terceira do Iraque".

Cada vez mais acho que o treinador é muito mais que um treinador. No antigamente a noção que o treinador entrega 22 coletes e mete-os a jogar. No ontem a ideia que o treinador se resume ao treino, ao jogo, ao adversário... no fundo, a tudo aquilo que é o jogo jogado. Hoje a percepção que ser treinador é muito mais que isto. É ser-se um amigo, é ajudar a resolver problemas pessoais, é identificar e resolver problemas dentro da equipa e do clube, etc. É extrair o máximo do jogador enquanto jogador e enquanto homem, é ajudá-lo a crescer nas duas variáveis bem como ajudar a resolver os seus problemas porque isso é um factor para que o jogador possa render menos.

Num contexto amador, quando um jogador vem ter connosco e nos diz não ter dinheiro para comprar chuteiras ou para deslocações, que não pode vir aquele treino porque está a trabalhar. Num contexto profissional, com ordenados em atraso, com o despender de muito tempo no e para o clube, relegando quase a família como para segundo plano. Há tantos e tantos problemas que o treinador tem de identificar, gerir, solucionar que o trabalho do mesmo é muito mais que preparar o treino, o jogo, a equipa para fim-de-semana após fim-de-semana subir ao relvado e dar um chocolate de organização e ganhar.

A frase de Rui Vitória, "no Benfica, muitas vezes, o treino é o menos importante", sem estar de acordo com a mesma, a ideia é muito esta. Há muito mais que o treino!

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O golo de Firmino


Desde a saída de bola curta a perceber qual o espaço que dava para progredir, a um dos muitos movimentos em criação no Liverpool de Klopp. Movimento de ruptura em diagonal (do CC para o CL da bola) de um jogador mais avançado para arrastar e aclarar espaço para um movimento de ruptura de trás para a frente a aparecer de segunda linha. Depois Firmino... A receção que cria o espaço preparando logo o remate e a finalização contrariando o movimento que se está a fazer (bola, jogador e adversário(s)). Tudo muito bem...

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Contratações de última hora


Rafa Silva e Markovic. Dois reforços de peso adquiridos nas últimas horas de mercado que prometem desequilibrar muitos jogos no nosso campeonato. Capacidades condicionais fantásticas. Ambos são velozes, ágeis, têm ambos uma capacidade de conduzir em direcção à baliza adversária fantástica, capacidade de enquadrar muito rápido e jogar em espaços reduzidos, tendo claro, uma grande qualidade técnica. Juntam a isso uma capacidade de decisão muito acima da média. Defensivamente são também bastante cumpridores.

Pela manutenção de Adrien e tendo em conta a qualidade individual das últimas contratações e pelo seu modelo de jogo mais trabalhado, o Sporting parte um pouco à frente na corrida pelo título. O SL Benfica com o melhor plantel em quantidade e  com a evolução notória do seu treinador sobretudo no momento de organização defensiva parte um pouco atrás.

O FC Porto com últimas contratações de grande qualidade. Diogo Jota e Oliver para juntar a André Silva, Corona e Otávio. Todos com bastante qualidade individual. Resta saber como evoluirá o modelo de jogo de NES.

domingo, 14 de agosto de 2016

Sampaoli como Klopp. A pressão



Primeira parte de nível brutal contra a melhor equipa do Mundo. Velocidade, dinâmica, combinações, agressividade, muita agressividade, organização, pressão, intensidade. É na agressividade e organização da pressão do Sevilha que vai residir uma das maiores armas de Sampaoli. Numa liga onde quase todas as equipas tentam sair e tocar curto, o pressing super agressivo desta equipa vão resultar em imensas recuperações altas que com estes jogadores a definir transições vai ser um mimo.

sábado, 6 de agosto de 2016

Adaptação a novos contextos. Treino

Em treino todos os treinadores tentam proporcionar aos jogadores, principalmente em formação, a maior diversidade de contextos possíveis. A atacar, a defender, a transitar. É giro brincar com esses contextos e com essas mudanças de contexto. O exercício que apresento hoje é uma dessas brincadeiras, brincadeira essa que inclui ainda um trabalho meramente físico pelo meio. 


2 campos, em cada um deles um 4 contra 4. Os 4 jogadores de cada equipa tem um número cada um, quando é chamado o seu número trocam de campo fazendo suicídios no meio. Neste caso optamos por fazer duas repetições com pausa no meio para hidratar. Primeiro chamar jogadores de 30 em 30 segundos. Na segunda repetição chamar de 45 em 45 segundos. Num campo sem limitações de toques e finalização ao 1º toque. Noutro campo nº de toques limitado a 3 e finalização livre.

Um exercício que exige uma adaptação rápida a um contexto completamente diferente, sendo que isso exige muita concentração. Para além disso uma estação física no meio que cada um pode montar como quer. Giro também brincar com as superioridades e inferioridades que se podem criar num exercício desta natureza. Alterar também as condicionantes. Por exemplo, mantendo o mesmo objetivo (concentração e adaptação a novos contextos), num campo algo mais complexo. A cada passe muda a regra, um pode dar toques ilimitados, a quem esse passar a bola só pode dar 1 toque, depois toques ilimitados novamente a quem esse que só tem um toque passar e assim sucessivamente. No fundo é toques ilimitados => 1 toque => toques ilimitados => 1 toque => toques ilimitados ... Apenas mais um exemplo.