domingo, 14 de agosto de 2016

Sampaoli como Klopp. A pressão



Primeira parte de nível brutal contra a melhor equipa do Mundo. Velocidade, dinâmica, combinações, agressividade, muita agressividade, organização, pressão, intensidade. É na agressividade e organização da pressão do Sevilha que vai residir uma das maiores armas de Sampaoli. Numa liga onde quase todas as equipas tentam sair e tocar curto, o pressing super agressivo desta equipa vão resultar em imensas recuperações altas que com estes jogadores a definir transições vai ser um mimo.

sábado, 6 de agosto de 2016

Adaptação a novos contextos. Treino

Em treino todos os treinadores tentam proporcionar aos jogadores, principalmente em formação, a maior diversidade de contextos possíveis. A atacar, a defender, a transitar. É giro brincar com esses contextos e com essas mudanças de contexto. O exercício que apresento hoje é uma dessas brincadeiras, brincadeira essa que inclui ainda um trabalho meramente físico pelo meio. 


2 campos, em cada um deles um 4 contra 4. Os 4 jogadores de cada equipa tem um número cada um, quando é chamado o seu número trocam de campo fazendo suicídios no meio. Neste caso optamos por fazer duas repetições com pausa no meio para hidratar. Primeiro chamar jogadores de 30 em 30 segundos. Na segunda repetição chamar de 45 em 45 segundos. Num campo sem limitações de toques e finalização ao 1º toque. Noutro campo nº de toques limitado a 3 e finalização livre.

Um exercício que exige uma adaptação rápida a um contexto completamente diferente, sendo que isso exige muita concentração. Para além disso uma estação física no meio que cada um pode montar como quer. Giro também brincar com as superioridades e inferioridades que se podem criar num exercício desta natureza. Alterar também as condicionantes. Por exemplo, mantendo o mesmo objetivo (concentração e adaptação a novos contextos), num campo algo mais complexo. A cada passe muda a regra, um pode dar toques ilimitados, a quem esse passar a bola só pode dar 1 toque, depois toques ilimitados novamente a quem esse que só tem um toque passar e assim sucessivamente. No fundo é toques ilimitados => 1 toque => toques ilimitados => 1 toque => toques ilimitados ... Apenas mais um exemplo.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Roma no caminho do Porto



Seria bem melhor um adversário mais acessível, no entanto saiu em azar a Roma. Ainda assim não me parece que o Porto tenha assim tão poucas hipoteses de vencer como se ouve por aí. Apesar de ainda não ter conseguido ver o Porto este ano, NES é um treinador com um foco muito grande na transição ofensiva (tendo até à pouco tempo apresentado um exercício no Forum dos Treinadores bastante interessante, por exemplo) e competente em organização defensiva. Baixa o bloco, junta linhas e prepara os seus 3 da frentre para acelerar na baliza após ganho. Tendo a Roma maior qualidade individual irá assumir e pode ser por aí que o Porto tenha a sua grande probabilidade de ser bem sucessido nesta eliminatoria. Veremos quem serão os jogadores que definem as transições, sendo certo que se for Brahimi, Corona ou Otávio a probabilidade aumenta. Ainda assim um Sporting - Porto 4 dias depois pode pesar e muito...

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Mourinho sobre Rooney

"Talvez não seja mais um número 9 mas comigo nunca será um número 6, a jogar a 50 metros da baliza. Tem um passe fantástico mas o meu também é... sem pressão. Vai ser um 9, um 9,5 ou talvez um 10, mas não um 6 nem um 8". Mourinho (05/07/16).

O engraçadinho Mourinho a confirmar algo que já falamos recentemente sobre Rooney e sobre a diferente exigência que é jogar em zonas de construção e de criação. A frase a negrito mostra-o. É um claro exagero, evidentemente, existe pressão em zonas de construção, no entanto há mais espaço, mais tempo e portanto todas as decisões e acções técnicas serão menos exigentes. E sim, o passe de Mourinho não é assim tão fantástico, com ou sem pressão.

"Constrói, cria e finaliza. Tudo porque é forte em todos os gestos técnicos nas 3 fases, porque é dono de uma tomada de decisão excelente e tem um enorme conhecimento do jogo. Liga em passe e em condução, temporiza, atrai, fixa, enquadra, remata. Nenhum se aproxima a ele na selecção inglesa. É o melhor em tudo, em todas as fases!
No entanto é mais fácil construir que criar. Por, mesmo que se pegue dentro do bloco, haver mais espaço e as decisões para além de serem mais fáceis poderem ser tomadas num maior período temporal. Ou seja, há mais espaço para pensar e executar, bem como são ambas mais fáceis na construção que na criação. É mais exigente a nível técnico e cognitivo jogar em zonas de criação, por existir menos espaço, por existir menos tempo, por ter de se fixar um linha inteira aos mesmo tempo, por ter de se enquadrar em muito menos tempo e com muito mais qualidade e muitas vezes com pressão a chegar nas costas, pelo passe ter de sair quase perfeito. E por tudo isto ainda ser muito mais difícil desequilibrar individualmente. Arranjar espaço para ser o próprio portador a finalizar, por ter de atacar também zonas de finalização ou a profundidade". Futebol Táctico (16/06/16)

terça-feira, 5 de julho de 2016

O foco no início da pré-época por Paulo Fonseca

 

"O nosso principal objetivo agora é conseguir fazer chegar aos jogadores as informações que queremos transmitir-lhes. Estamos hoje cimentando as bases para o jogo futuro da equipe. Você tem razão, quando diz que prestamos muita atenção às táticas de jogo ao longo de toda esta semana, mais precisamente na construção da nossa defesa. Faço particular ênfase máximo nisso porque considero que qualquer equipe precisa entender como jogar na defesa. Mas também tivemos bastante treinamento de força, muita corrida e trabalho para desenvolver a força física - um pouco de tudo. Tudo isso combinado deverá trazer bons resultados". Paulo Fonseca (18/06/16).

"A primeira fase da preparação de pré-temporada correu muito bem. Você tem que entender que houve uma grande mudança. Estivemos todo este tempo trabalhando principalmente na organização de defesa. Estou satisfeito com a entrega, com o comportamento e com a aceitação das nossas ideias por parte dos jogadores". Paulo Fonseca (04/07/16).

Tal como Paulo Fonseca, também dou mais enfâse aos momentos defensivos no início dos trabalhos na pré-época.

Começando, tal como disse no último artigo, por dar uma agressividade brutal aos jogadores. Segue-se a contenção e a cobertura, a dupla-cobertura, o recuperar para trás da linha da bola, os momentos de pressing, a organização da linha defensiva, a reação à perda. Mesmo partindo de exercícios pouco estruturais (até por estar numa idade de formação) para exercícios mais estruturantes.

Faço-o porque considero mais fácil de trabalhar o momento defensivo em relação ao ofensivo, pois os jogadores têm de considerar menos variáveis, ou seja, demora menos tempo. Por ser aqui, no momento sem bola, que consigo dar a intensidade ao treino que quero (tal como expliquei no último artigo). Porque considero que sem bases defensivas é impossível criar o que quer que seja em organização ofensiva. Para quando uma equipa esteja em posse a outra lhe crie dificuldades por estar organizada. Por acreditar que nos primeiros jogos aquilo que me vai fazer discutir resultados é o processo defensivo (porque as equipas conseguem atacar e criar mesmo que seja individualmente mas não conseguem defender sem ser coletivamente), evitando algumas derrotas e/ou resultados pesados que possam fazer com que os jogadores começem desde logo a desconfiar do processo.

Estas são as princípais motivações que me fazem acreditar que devo começar por dar bases a nível defensivo. Isto não quer dizer que tenha uma equipa super, super organizada defensivamente em muito pouco tempo, é impossível isso. Quero ser, "apenas", competente em organização e transição defensiva desde cedo. O que também não quer dizer que não trabalhe ofensivamente. A metodologia é global, quando se defende alguem tem de atacar. Refiro-me é ao foco que dou que numa fase inicial é muito maior a nível defensivo que ofensivo.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

O aumento dos índices de agressividade...

... para um aumento de todos os outros índices.



Em idades de formação, para mim, não deve de existir treino físico por si só. Ou seja, treinar o físico pelo físico (seja lá isso o que for) totalmente descontextualizado. Isso para mim não faz sentido e há outras formas de o fazer (aumentar os índices físicos).

É comum muitos treinadores iniciarem a pré-época com trabalho físico. Eu prefiro aumentar, desde logo, o nível de intensidade dos treinos. Treinando, por exemplo, 3 vezes por semana todos os treinos terão de ser a 100%, sem treinos de recuperação ou treinos ligeiros por haver jogo no dia seguinte (exemplo, treinar à sexta e jogar sábado).

Dizer isto ao jogadores não faz com que a intensidade do treino aumente. É necessário promover um treino (exercícios e respectivos feedbacks) que vão ao encontro disso. Criar contextos dentro dos exercícios (número e espaço) para que existam muitas perdas, muitas dividas, muito choque, muito contacto. Feedback direcionado nessa direção, no sentido de existir sempre rápida contenção e muito agressiva, para serem muito agressivos nos duelos e muito rápidos a reagir à perda. Reforço positivo a quem o é (agressivo), reforço negativo a quem não o é. Sem faltas, quando começarem a levar porrada vão querer dar também. Não deixar o exercício morrer quando a bola sai, para não se perder a fluidez do exercício.

Este aumento dos índices de agressividade irá aumentar todos os outros índices. Maior agressividade dará uma maior intensidade ao treino, o que exige uma maior concentração, maior empenho e, consequentemente, maior evolução coletiva e individual.

terça-feira, 28 de junho de 2016

O lado estratégico do Espanha-Itália



Ontem fiz referência novamente à Itália como sendo a equipa mais preparada para todos os momentos do jogo. Trabalho do seu treinador que tenta reduzir ao maximo todas as aleatoriedade do jogo e dar aos jogadores muitas ferramentas para resolver, de forma coletiva, todos os problemas. Ontem o lado estratégico, na forma de pressionar e anular a fase de construção da Espanha, também bem visível.


Desde a saída de bola espanhola que o objetivo era claro. Perturbar ao máximo a fase de construção adversária, obrigando a equipa contrária a jogar longo. Na primeira parte mais de metade das bolas que chegaram a Morata foi no ar, obrigando-o a disputar duelos no ar com 3 defesas fortes neste capítulo. N

Na saída de bola. Eder com Ramos, Giacherini com Pique e Pelle com Busquets anulavam os 3 mais próximos de De Gea. De Siglio e Florenzi com os laterais espanhois. De Rossi e Parolo a acompanhar Fabregas e Iniesta se baixassem para tentar receber nesta fase.

Foi, no entanto, mais à frente, na 2a fase de construção espanhola que o pressing foi mais interessante. Eder pressionava sempre, sempre Ramos. Giacherini saia da linha média e pressionava pelo lado cego Pique quando a bola ia entrar neste. Pelle apenas dava coberturas a ambos não deixando a bola entrar em Busquets (que não jogou!). De Rossi e Parolo a não deixar Iniesta e Fabregas enquadrar, saltando na pressão pelas costas.

Espantoso ou não, Del Bosque nada mudou na fase de construção para conseguir chegar a zonas de criação com maior regularidade e mais probabilidades de sucesso. Apenas meteu Aduriz para disputar bola longa no ar e deixou Morata, muito mais forte a atacar profundidade que Nolito. O maior dominio da Espanha, no segundo periodo, a dever-se sobretudo à qualidade dos seus executantes que foram sendo capazes de ir batendo pressões, linhas, contenções.

Visto que era Giacherini a saltar na pressão a Pique, deixando muito espaço no seu corredor, poderia, para mim, acontecer uma das duas mudanças sugeridas. 1) Silva estando profundo e aberto segurando De Siglio, a bola poderia entrar em Juanfran (numa mudança rápida de corredor) que com tempo e espaço poderia ligar com jogadores dentro ou acelerar em condução por dentro ou por fora criando 2x1 no CL. Poderia também ser Juanfran a fazer de Silva (que poderia estar no CC) e Fabregas, por exemplo, a pegar por fora no espaço deixado pelo lateral. 2) Uma construção a 3. Com Busquets no meio de Ramos e Pique ou com Busquets ao lado de um dos dois. Com Juanfran a pegar como central, deixando Alba e Silva para a largura. Ou uma mudança colocando um jogador como central a iniciar construção, esse alguem que até poderia ser Fabregas.

Não sendo um post para criticar Del Bosque, é sobretudo para elogiar o grande trabalho de Conte nesta seleção italiana. Veremos como será contra a Alemanha. A chave poderá estar no posicionamento de Draxler e de Muller (ou Gotze). Aproveitando os CLs não só para atrair mas também para fazer baixar bloco italiano e também penetrar na estrutura ou atacar a profundidade com movimentos de arrastamento e entrada nas costas. Interessante também perceber como irá a Alemanha defender-se dos contra-ataques e ataques rápidos da itália.